cada número uma promessa vã,
a esperança meticulosa
desvanece-se pela manhã.
Três euros investidos no acaso,
na ilusão de mudar o destino,
e sobra apenas o embaraço
deste bilhete franzino.
A Santa Casa promete tesouros,
milagres de papel plastificado,
mas eu coleciono só os louros
de quem já perdeu, resignado.
Raspa daqui, raspa de acolá,
medalhinhas que nunca combinam,
a sorte está sempre além do cá,
as probabilidades que me eliminam.
No chão, pó de prata a brilhar,
restos de sonhos por cumprir,
enquanto volto a raspar
sem aprender, sem desistir.
Ó Santa Casa de Misericórdia,
tens misericórdia de ninguém,
só deixas esta discórdia:
raspar, perder, e nada além.

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